Eis que,
salvo dos chamamentos,
relego ao oposto aquele que fui.
Desabo na sombra que se me adianta
para desentravar aquele que havia escondido
dentro das tardes de minha infância,
na solidão alegre, deitado pro céu.
Sim,
foi debaixo de uma amendoeira,
entre galhos e folhas largas.
Como cinema de nuvens inéditas,
me aquietava na cadeira de balanço
e sonhava que um dia,
meio assim que de mágica,
eu sairia pelo mundo
despedaçando alianças.
Pois não,
aqui estou desembainhado.
Vendi a capa, perdi a espada,
lancei sorte ao vento e curvei os olhos:
foi um olhar de soslaio
que lancei a mim mesmo.
Vejo cenas inéditas
por entre fios de alta-tensão
e desgarro os braços de faíscas e raios.
Enfim,
achei e Pedra e lancei Fundamental estrutura,
aplainei madeira e levantei cisternas,
e com verniz que eu mesmo misturei,
que espelhei em meu violão,
arrumei os cabelos e sequei a testa:
apenas um gesto poético de alusão.
Acariciei a cancela que atrás de mim fechei
e me entreguei ao arroubo de cada passo
rumo ao centro de meu coração.