Arquivo de novembro 2008

  • harry_labirinto2

    As tardes de Nuno Mendes

    Nuno passava as tardes brincando quieto, em silêncio. Seus pais sempre dormiam após o almoço e ele ficava sozinho pela casa imensa. Quando somos pequenos todas as coisas parecem enormes. Ou será que vão encolhendo na medida em que crescemos? É de conhecimento público que...

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  • 122358320_870f956dcc

    O passar das coisas

    Só percebemos o momento quando o buscamos no passado. O presente à nossa volta entorpece-nos, turva-nos os pensamentos. É preciso pressa; agora. Mais tarde, quando tudo se tornar memória, somos ainda capazes de retocar os acontecimentos. Pegamo-los para nós; arrancamo-los do tempo. Os que fazem...

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  • 417829195_22c3ff6885

    A sombra

    Uma insignificante sombra pousou sobre a mesa cor de tabaco. Quase não pude perceber a nuance, uma gradiente, que saltava de um lado para o outro, fugindo sistematicamente da minha mão incansável. Mentira. Cansava-se ao mesmo tempo em que meu braço: descansavam juntos, em uma...

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  • 1119056413_de13e9f591_o

    Memórias da infância dos outros

    Todos estavam reunidos no quarto-sala: aniversário. Como em toda reunião em que já não se tem muito o que dizer, logo iniciam-se as recordações de aventuras do tempo de criança. O mais curioso é que são contadas as mesmas histórias, sempre. Escangalhavam-se de rir… Eu,...

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  • fundo-mar

    A mulher não está morta

    E o silêncio rompeu-se: foi levada para a UTI. Não se sabe se de lá retorna (e por isso julgo aquelas cenas de morte previamente anunciada, sentida), mas bem pode ser, quem sabe? Minha mãe, ao telefone internacional, disse-me: «Eu estava já tão triste! Na...

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  • patricktaberna2

    A mulher está morta

    Esta semana olhei pela janela de manhã e vi que uma ambulância estava parada à porta da casa do outro lado da rua. Eu sabia de antemão que a mulher estava doente e já não reconhecia aos amigos. Não houve suspense, apenas a constatação serena...

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