Doses cúbicas de prazeres simples

Uma taça de vinho do porto (Terras Porto. Tawny, de Vila Nova de Gaia), um charuto (Phillies (USA) aromático: chocolate) e o vento fresco de uma noite de outono (Naturalmente bela); eis algumas das coisas que preenchem com certo prazer este início de madrugada.

Tenho a impressão que estes prazeres simples fecham-nos em um espaço pequeno, cúbico, onde pode-se ver circular idéias e sensações. Apenas os sons da rodovia, sons que persistem desde a infância (os mesmos, a repetirem-se), penetram a pouco custo neste cubículo agradável. O mais acertado nesta imagem é colocar estas coisas no alto; e faço-o: meto isto tudo numa torre média, no topo de um elevado. A altitude me agrada, silencia-me.

Pois bem… Eu, aqui no alto, a silenciar-me enquanto a rodovia conta-me as mesmas histórias desde a infância, aquelas sobre as quais eu sempre escrevo.

E isto é tudo: prazeres simples que fecham-me em metros cúbicos, doses de silêncio e uma janela na parede circular de uma torre imaginária. Por hoje, basta-me.