Arquivo de abril 2010

  • 1214763573_loucura21

    De escritor e de loucos, quantos de nós temos, de cada um, um pouco?

    de escritor e de loucos quantos de nós temos de cada um um pouco? se ao andar pelas ruas ao tentar distrair-me crónicas, contos, romances, poesias debatem-se na imaginação, lutam tanto desespero pelo espaço tanta discussão, frenesi, enfim, forma-se um tumulto pela atenção que só...

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  • PA214259alomo

    E depois não sabem o motivo da enxaqueca dos vendavais

    Um homem sentado à varanda com um cão ao lado: eis a imagem da serenidade de uma tarde enevoada na qual, não muito distante, o barulho intermitente de uma enxada insiste em demonstrar o movimento do mundo. As nuvens estão a descansar, coitadas, da brincadeira...

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  • LIVROS

    O escritor finge que se esquece de si mesmo

    Escrever é riscar com as unhas o vento que bate ao rosto, com gestos estranhos, muitas vezes exagerados, quase sempre incompreensíveis à maioria das pessoas. Porém, ao prestar-se mais atenção, vê-se sempre no rosto do escritor um certo sorriso de lado, uma certa ironia, algum...

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  • Meu amor

    O universo cabe dentro de dois corpos que trocam estrelas cadentes

    Luzes e mais luzes a piscarem no alto dos montes: carros que indiscretamente procuram a discrição nos ermos da aldeia. Cá embaixo, nós, simples mortais desabituados ao isolamento, neste universo horizontal e fraldário, invejamos-lhos a audácia simples e a solidão escolhida. Casais que se escondem...

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  • sombra-de-gato-errante

    Da minha falta de franciscanidade

    Sonhei que andava numa loja de animais escura e entulhada de coisas, comprando dois peixes Acarás-Bandeira de cor lilás para juntar aos dois vermelhos que eu já tinha em um aquário na minha casa do sonho. Depois, comprei dois gatos negros e raiados de cinza...

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  • Edith_Derdyk

    Cada livro é um saco cheio de coisas

    Eu gastando tantas letras e a pensar que deve haver um limite no Infinito, visto que no infinito não há tempo e as coisas por lá todas terminadas, em sua forma definitiva. Jogassem-me lá e eu perguntava — Olha, quantas letras eu escrevi? No entanto,...

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  • olhos fechados

    Do tamanho e do peso das coisas

    Disse a minha mãe, agora ao almoço — Lembro-me perfeitamente do gosto de um queijo que eu comi há quarenta anos na Igreja então passei a lembrar dos gostos e cheiros que também guardo perfeitamente, dos quais basta uma palavra para que retornem ao nariz...

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  • rel_gioengrenagens_thumb_4_

    Da impossibilidade de acertar os relógios

    Qual a idade do tempo? Qual não seria a alegria de assistir ao primeiro segundo de sua existência? E nós, seres humanos, cativos do tempo, sem poder imaginar como seria antes desse primeiro segundo, o que havia, o que haveria de estar em semente na...

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  • escher5

    Matei o meu marido sim senhor

    Matei o meu marido sim senhor, e daí? Andava já ressequida pela vida, abandonada junto aos móveis da casa e (casa? isto não se parece com uma) já não esperava nada de ti Pedro Afonso, nada, pois só ouvia-te a chamar-me pelo nome quando chegavas...

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  • 78471171_450f3ee12e

    Breves instantes quotidianos, seguidos de um ponto final.

    Uma tempestade sem tamanho, que desaba do céu sobre as cabeças loiras e castanhas das casas, faz com que o cão, protegido e com os olhos fixos nas nuvens, ladre intumescido e rosne impropérios a um São Pedro irado. Os animais não aceitam a prisão...

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  • tempo

    Um breve torpor dionisíaco

    Sentei-me rente à lareira. Sinto o sabor efervescente do tinto na boca; solto a fumaça, antes aprisionada no cigarro, para que se junte ao lume e suba chaminé acima e, depois, vencido pela ociosidade, sinto o calor a queimar o rosto e aquiescer as ideias....

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  • mao_macaneta

    A lâmina que corta a minha vida

    Mais um momento divisor se aproxima, dois dias adiante. O que corta minha vida sempre em duas partes (e tudo isto tem a ver com a geografia) se parece com uma faca de cortar pão: tanto pela rudeza e agressividade da lâmina, quanto pela simplicidade...

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  • 2987080216_b2c411ed10_o

    Dos homens e das tempestades

    O vento chega à frente, como se fosse um pequeno mito anunciando uma deusa mais poderosa que se aproxima: a chuva forte, impetuosa, irresistível. As nuvens bradam em homenagem, anunciantes, faiscando com violência para avisar que com a natureza não se brinca, e toda ela...

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  • esfera_g

    O quebra-cabeças que dá valor à existência

    Começo a acreditar que as coisas que duram para sempre são aquelas que experimentamos e planejamos na infância. Os projetos, as brincadeiras, as pessoas que fizeram parte de nossa vida nessa época, tudo isto, por mais que tenha havido distância entre as pessoas ou que...

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