Escrever é riscar com as unhas o vento que bate ao rosto, com gestos estranhos, muitas vezes exagerados, quase sempre incompreensíveis à maioria das pessoas. Porém, ao prestar-se mais atenção, vê-se sempre no rosto do escritor um certo sorriso de lado, uma certa ironia, algum desdém. O mundo inteiro se ajusta às suas mãos enquanto escreve. Depois, a obra já publicada ou esquecida sobre a mesa, ele vai até à varanda, espreguiça-se, boceja, acha qualquer paisagem deslumbrante, e finge que se esquece.
O escritor finge que se esquece de si mesmo
– 20 de abril de 2010Colocado em: Featured Articles