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A voz do mundo e o escritor
29 dom 2010 14:21 | Sem Comentários -
Texto sob o efeito de música
22 dom 2010 14:55 | Sem Comentários -
Anotações do Caderno Escuro de Frieditz
15 qui 2010 21:11 | Sem Comentários -
Dei por mim já adulto
14 seg 2010 23:06 | 5 Comentários -
O vento que insiste em bater no vidro dos olhos
24 seg 2010 18:57 | Sem Comentários -
Não trouxe nenhum raio comigo
11 ter 2010 17:40 | Sem Comentários -
De escritor e de loucos, quantos de nós temos, de cada um, um pouco?
23 sex 2010 17:21 | Sem Comentários -
E depois não sabem o motivo da enxaqueca dos vendavais
23 sex 2010 14:03 | Sem Comentários -
O escritor finge que se esquece de si mesmo
20 ter 2010 12:14 | Sem Comentários -
O universo cabe dentro de dois corpos que trocam estrelas cadentes
20 ter 2010 12:09 | Sem Comentários
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A voz do mundo e o escritor
Publicado a 29 de agosto de 2010 | Nenhum ComentárioUma esplanada de café é um lugar perfeito. Pode-se observar o vento a dançar as folhas, os carros a transportarem problemas grudados à força em testas enrugadas, crianças inconscientes do barulho que fazem por serem ainda as donas do mundo, conversas que chegam misturadas e... -
Texto sob o efeito de música
Publicado a 22 de agosto de 2010 | Nenhum ComentárioA vida em dados momentos me parece triste. Os familiares, os amigos, os amores, acontecimentos que se vão, excepto da memória. Olhamos os móveis e sentimos as marcas que ficam, o que os olhos dos que já não estão ao pé de nós olharam e... -
Anotações do Caderno Escuro de Frieditz
Publicado a 15 de julho de 2010 | Nenhum Comentário(1) Não acreditamos no mundo à nossa volta. Acreditamos em nossos medos, ódios, anseios, em nossos problemas. De certa forma, substituímos o mundo real e independente de nós pelos nossos sentimentos interiores. O mundo externo torna-se apenas um lugar onde podemos colocar os pés, uma... -
Dei por mim já adulto
Publicado a 14 de junho de 2010 | 5 ComentáriosUm casulo de solidão em torno, uma nódoa de vazio nos panos brancos da alma, uma escada que sobe infinitamente para dar em qualquer lugar desconhecido; eis o quadro pendurado na parede rachada e antiga que encaixota o ser estirado sobre o chão, um chão... -
O vento que insiste em bater no vidro dos olhos
Publicado a 24 de maio de 2010 | Nenhum ComentárioSempre tive associações com o vento. Lembro-me de tardes em que ficava sentado na calçada de cimento entrecortado por sombras de amendoeiras e de repente tenho as amêndoas brasileiras amargas e imastigáveis, sem que eu atine com o motivo de se chamarem amêndoas a caírem... -
Não trouxe nenhum raio comigo
Publicado a 11 de maio de 2010 | Nenhum ComentárioNoite passada, eu arrumei a cadeira junto ao muro que dá para a rua (um murinho baixo, com grades proporcionais). Levei comigo cigarros, uma chávena de café e um copo de vinho branco. Sentei metade de mim debaixo da varanda e a outra metade sob... -
De escritor e de loucos, quantos de nós temos, de cada um, um pouco?
Publicado a 23 de abril de 2010 | Nenhum Comentáriode escritor e de loucos quantos de nós temos de cada um um pouco? se ao andar pelas ruas ao tentar distrair-me crónicas, contos, romances, poesias debatem-se na imaginação, lutam tanto desespero pelo espaço tanta discussão, frenesi, enfim, forma-se um tumulto pela atenção que só... -
E depois não sabem o motivo da enxaqueca dos vendavais
Publicado a 23 de abril de 2010 | Nenhum ComentárioUm homem sentado à varanda com um cão ao lado: eis a imagem da serenidade de uma tarde enevoada na qual, não muito distante, o barulho intermitente de uma enxada insiste em demonstrar o movimento do mundo. As nuvens estão a descansar, coitadas, da brincadeira... -
O escritor finge que se esquece de si mesmo
Publicado a 20 de abril de 2010 | Nenhum ComentárioEscrever é riscar com as unhas o vento que bate ao rosto, com gestos estranhos, muitas vezes exagerados, quase sempre incompreensíveis à maioria das pessoas. Porém, ao prestar-se mais atenção, vê-se sempre no rosto do escritor um certo sorriso de lado, uma certa ironia, algum... -
O universo cabe dentro de dois corpos que trocam estrelas cadentes
Publicado a 20 de abril de 2010 | Nenhum ComentárioLuzes e mais luzes a piscarem no alto dos montes: carros que indiscretamente procuram a discrição nos ermos da aldeia. Cá embaixo, nós, simples mortais desabituados ao isolamento, neste universo horizontal e fraldário, invejamos-lhos a audácia simples e a solidão escolhida. Casais que se escondem... -
Da minha falta de franciscanidade
Publicado a 20 de abril de 2010 | Nenhum ComentárioSonhei que andava numa loja de animais escura e entulhada de coisas, comprando dois peixes Acarás-Bandeira de cor lilás para juntar aos dois vermelhos que eu já tinha em um aquário na minha casa do sonho. Depois, comprei dois gatos negros e raiados de cinza... -
Cada livro é um saco cheio de coisas
Publicado a 19 de abril de 2010 | Nenhum ComentárioEu gastando tantas letras e a pensar que deve haver um limite no Infinito, visto que no infinito não há tempo e as coisas por lá todas terminadas, em sua forma definitiva. Jogassem-me lá e eu perguntava — Olha, quantas letras eu escrevi? No entanto,... -
Do tamanho e do peso das coisas
Publicado a 19 de abril de 2010 | Nenhum ComentárioDisse a minha mãe, agora ao almoço — Lembro-me perfeitamente do gosto de um queijo que eu comi há quarenta anos na Igreja então passei a lembrar dos gostos e cheiros que também guardo perfeitamente, dos quais basta uma palavra para que retornem ao nariz... -
Da impossibilidade de acertar os relógios
Publicado a 17 de abril de 2010 | Nenhum ComentárioQual a idade do tempo? Qual não seria a alegria de assistir ao primeiro segundo de sua existência? E nós, seres humanos, cativos do tempo, sem poder imaginar como seria antes desse primeiro segundo, o que havia, o que haveria de estar em semente na... -
Matei o meu marido sim senhor
Publicado a 17 de abril de 2010 | Nenhum ComentárioMatei o meu marido sim senhor, e daí? Andava já ressequida pela vida, abandonada junto aos móveis da casa e (casa? isto não se parece com uma) já não esperava nada de ti Pedro Afonso, nada, pois só ouvia-te a chamar-me pelo nome quando chegavas... -
Breves instantes quotidianos, seguidos de um ponto final.
Publicado a 16 de abril de 2010 | 3 ComentáriosUma tempestade sem tamanho, que desaba do céu sobre as cabeças loiras e castanhas das casas, faz com que o cão, protegido e com os olhos fixos nas nuvens, ladre intumescido e rosne impropérios a um São Pedro irado. Os animais não aceitam a prisão... -
Um breve torpor dionisíaco
Publicado a 16 de abril de 2010 | Nenhum ComentárioSentei-me rente à lareira. Sinto o sabor efervescente do tinto na boca; solto a fumaça, antes aprisionada no cigarro, para que se junte ao lume e suba chaminé acima e, depois, vencido pela ociosidade, sinto o calor a queimar o rosto e aquiescer as ideias.... -
A lâmina que corta a minha vida
Publicado a 16 de abril de 2010 | Nenhum ComentárioMais um momento divisor se aproxima, dois dias adiante. O que corta minha vida sempre em duas partes (e tudo isto tem a ver com a geografia) se parece com uma faca de cortar pão: tanto pela rudeza e agressividade da lâmina, quanto pela simplicidade... -
Dos homens e das tempestades
Publicado a 16 de abril de 2010 | Nenhum ComentárioO vento chega à frente, como se fosse um pequeno mito anunciando uma deusa mais poderosa que se aproxima: a chuva forte, impetuosa, irresistível. As nuvens bradam em homenagem, anunciantes, faiscando com violência para avisar que com a natureza não se brinca, e toda ela... -
O quebra-cabeças que dá valor à existência
Publicado a 15 de abril de 2010 | Nenhum ComentárioComeço a acreditar que as coisas que duram para sempre são aquelas que experimentamos e planejamos na infância. Os projetos, as brincadeiras, as pessoas que fizeram parte de nossa vida nessa época, tudo isto, por mais que tenha havido distância entre as pessoas ou que... -
Seria o aniversário de meu pai
Publicado a 26 de novembro de 2009 | 4 ComentáriosMeu pai ensinou-me a jogar damas quando eu era ainda bem pequeno. Ganhou todas as partidas por anos a fio. Fui crescendo; no entanto não o vencia. Fiquei tão bom no jogo de damas que ninguém da minha rua queria mais jogar comigo, pois ganhava... -
Manual da Madrugada
Publicado a 22 de novembro de 2009 | 1 ComentárioSozinho, durante a madrugada, olhando as casas e as ruas da minha janela, eu fico imaginando as pessoas dormindo. Olho para os postes, pontos de luz que deixam os caminhos em sépia, e sinto o cheiro, vejo as sombras, às vezes um gato tranqüilo que... -
Um sonho ao passado
Publicado a 12 de novembro de 2009 | 1 ComentárioAndo cá fechado em minha torre, meio isolado do mundo em um momento de transição, daqueles em que são estendidas no varal notas de solidão querida, desejada, como se a única coisa que importasse fosse ruminar a vida em silêncio. Há roupa para lavar, mas... -
São muitas as vozes dentro de nós
Publicado a 30 de outubro de 2009 | Nenhum ComentárioSão muitas as vozes dentro de nós: daqueles que naturalmente se dispersaram com o tempo, outros que partiram com a morte e ainda aqueles que seguem por uma estrada diferente a partir de certo ponto do caminho. No entanto, sempre é possível ouvir a voz... -
Não me esqueço de mim mesmo, então posso me sentir só.
Publicado a 25 de outubro de 2009 | Nenhum ComentárioEnquanto escrevia, esta era a música que tocava: Veja, a rua está vazia. Um carro passa, mas não pára. Tudo tem que passar: as ruas, as casas; nós estamos de passagem, por mais que eu permaneça madrugadas à janela, sem que eu perceba, já não... -
O acorde desta canção que é a vida
Publicado a 2 de outubro de 2009 | Nenhum ComentárioChegar à aldeia (capital do mundo) e encontrar os amigos enevoados por causa do tempo e da distância, desanuviar as feições, forçar a rouquidão que é a rusga da pressa no falar e logo todas as vozes em uníssono saindo pela boca do Miguel —... -
Do que tratam estes latidos todos?
Publicado a 1 de outubro de 2009 | 2 ComentáriosAcho que os cães entediam-se em certas madrugadas e põem-se a latir, resmungando para outros cães. Pode ser que exista uma linguagem (de certo que há) e percebo que eles se comunicam a outros mais distantes (ou se desentendem?) em alguma disputa indecifrável para nós,... -
Intimação para testemunha ocular, prova da realidade deste momento
Publicado a 4 de setembro de 2009 | 1 ComentárioDe uma coisa não posso esquecer: o céu noturno com poucas nuvens, lua cheia e vento morno. Das poucas, as que mais me sensibilizam são aquelas que ficam morosas em torno do disco lunar, mudam de cor e, se olhamos por algum tempo para outro... -
Navegar no mar do imaginário, para aportar no real
Publicado a 12 de agosto de 2009 | 1 ComentárioComo a luz que penetra, sorrateiramente, através de uma fresta que nos era desconhecida até aquele exato instante, assim são as idéias que nos chegam, prenhes de ações, navegando por algum tempo no mar de nosso imaginário, para depois, finalmente, aportarem no real, satisfeitas por... -
Os vidros que dão para o Largo de Trancoso
Publicado a 25 de julho de 2009 | Nenhum ComentárioNão sei qual a relação, mas esta música, Elephant Gun, do Beirut, trouxe-me isto: a minha mãe carregando-me os ouvidos — Anda, tens tempo depois para essas coisas. e só agora pude entender que este tens tempo depois não era para um depois tão distante.... -
Doses cúbicas de prazeres simples
Publicado a 6 de junho de 2009 | 1 ComentárioUma taça de vinho do porto (Terras Porto. Tawny, de Vila Nova de Gaia), um charuto (Phillies (USA) aromático: chocolate) e o vento fresco de uma noite de outono (Naturalmente bela); eis algumas das coisas que preenchem com certo prazer este início de madrugada. Tenho... -
O mecanismo por detrás das coisas
Publicado a 3 de junho de 2009 | Nenhum ComentárioAs coisas partem-se em pedaços; espalham-se pelo mundo. Pessoas também. Formam-se grupos, juntam-se idéias cuja densidade impõe limites físicos, e tudo isto – assim, de repente – rasga-se: um vento atravessa os limites e dissipa aquela densidade inicial, quase tornando-a inimaginável ao torcermos os olhos... -
A membrana da internet e os sentidos rudimentares dos seres humanos
Publicado a 21 de maio de 2009 | 1 ComentárioFazia tempo que eu não ficava em uma mesma casa com três gerações de minha família, cada uma dessas gerações representadas por um membro: mãe, avó e filho. Está certo, não é lá algo incomum na maioria das casas que conhecemos. Porém no meu caso é algo singular,... -
Tédio Matinal
Publicado a 8 de abril de 2009 | 2 ComentáriosOlho aqui à minha frente um livro do Lobo Antunes; outro que me ensina a rezar na era da técnica; aquele da Ortodoxia, do G. K. Chesterton; diversos sobre São Bento; um do São João da Cruz; um sobre patrologia; Santo Agostinho; Fernando Pessoa; Jorge... -
Nuvens Baixas
Publicado a 3 de abril de 2009 | 1 ComentárioVentos fortes e tempestuosos cobriram os dias. Não é possível ainda enxergar ao longe, mas cremos que não há muito o que fazer, a não ser seguir em frente. Vamos todos com uma das mãos protegendo os olhos, e a outra agarrada aos amigos. -
O alimento da alma
Publicado a 22 de março de 2009 | 1 ComentárioA alma encontrou descanso, abriu as asas de sua inteligência e as abanou um pouco, assim como quem estava com elas muito tempo presas e sente grande alívio em soltá-las. A seguir, com um olhar faminto e renovadas forças, saiu em busca de seu alimento:... -
Uma linha forte
Publicado a 12 de março de 2009 | Nenhum ComentárioUm circulador de ar canta, enchendo o ambiente com alguma canção há muito conhecida dos ventos, e que foi posta artificialmente nas hélices do aparelho pela técnica dos seres humanos. A luminária antiga e alaranjada, quebrada pelo tempo e pelo calor, estes que ressecam o... -
Os móveis
Publicado a 9 de março de 2009 | 2 ComentáriosOs móveis conversam entre si Assuntos que desconheço Nos quais não tomo parte Existe um limite instransponível Entre os móveis e eu Não há diálogo Acho mesmo que os atrapalho Eu, que passeio entre os espaços da casa Eles, que silenciam quando se insinuam meus... -
O labirinto que antecede as pontes
Publicado a 4 de março de 2009 | Nenhum ComentárioExistem pontes São tantas E o problema de existirem assim Tantas É que ficamos parados (nos momentos decisivos) A olhar para cada uma delas Os olhos bem abertos Às diversas possibilidades E o problema de existirem assim Tantas É que ficamos perdidos (e nos esquecemos... -
O vazio entre os objetos e um silêncio específico
Publicado a 21 de fevereiro de 2009 | Nenhum ComentárioOu uma nova modalidade de solidão está se formando ou pode ser que uma fase extensa de minha vida tenha terminado e esteja solicitando amavelmente a passagem para outra. Algo está diferente, mesmo na maneira como os meus olhos captam o mundo ao redor. Há... -
Prescindir da matemática
Publicado a 19 de fevereiro de 2009 | 2 ComentáriosBem o conheço… Sempre andava com os olhos espetando os outros, com as palavras afiadas disparadas intermitantemente em alguma direção (nem sempre algo que valha) ou passando a mão direita nos cabelos, como a jogar as idéias constantemente ao vento. «Sei o que se passa»,... -
A pesca
Publicado a 29 de janeiro de 2009 | Nenhum Comentário– A impressão que se tem é que a maioria das pessoas são iguais, mas nos vícios e defeitos — diz António. Pedro, instantaneamente replica: – Mas há-de se convir que nas poucas que são diferentes, também há certa igualdade… António passa a especificar: –... -
A massa do homem
Publicado a 8 de janeiro de 2009 | 2 ComentáriosObserva aquele que passa na avenida Na multidão, como se vê a princípio Um homem só, caso percebas a realidade das coisas Indivíduos possuem notas que os singularizam Tais peculiaridades não ficam à superfície Se mexeres mais a fundo – feito artífice Descobres uma tela... -
Sons habituais da madrugada
Publicado a 21 de dezembro de 2008 | 1 ComentárioA madrugada segue com os seus sons habituais de fim de semana: os carros na rodovia fincam mais rudemente o asfalto (há uma pressa costumeira aos sábados), as pessoas nos carros e nas motos que lançam gritos esparsos e sem sentido (são sinais de vitalidade... -
As tardes de Nuno Mendes
Publicado a 30 de novembro de 2008 | 2 ComentáriosNuno passava as tardes brincando quieto, em silêncio. Seus pais sempre dormiam após o almoço e ele ficava sozinho pela casa imensa. Quando somos pequenos todas as coisas parecem enormes. Ou será que vão encolhendo na medida em que crescemos? É de conhecimento público que... -
O passar das coisas
Publicado a 28 de novembro de 2008 | 4 ComentáriosSó percebemos o momento quando o buscamos no passado. O presente à nossa volta entorpece-nos, turva-nos os pensamentos. É preciso pressa; agora. Mais tarde, quando tudo se tornar memória, somos ainda capazes de retocar os acontecimentos. Pegamo-los para nós; arrancamo-los do tempo. Os que fazem... -
A sombra
Publicado a 23 de novembro de 2008 | 2 ComentáriosUma insignificante sombra pousou sobre a mesa cor de tabaco. Quase não pude perceber a nuance, uma gradiente, que saltava de um lado para o outro, fugindo sistematicamente da minha mão incansável. Mentira. Cansava-se ao mesmo tempo em que meu braço: descansavam juntos, em uma... -
Memórias da infância dos outros
Publicado a 14 de novembro de 2008 | 3 ComentáriosTodos estavam reunidos no quarto-sala: aniversário. Como em toda reunião em que já não se tem muito o que dizer, logo iniciam-se as recordações de aventuras do tempo de criança. O mais curioso é que são contadas as mesmas histórias, sempre. Escangalhavam-se de rir… Eu,... -
A mulher não está morta
Publicado a 14 de novembro de 2008 | Nenhum ComentárioE o silêncio rompeu-se: foi levada para a UTI. Não se sabe se de lá retorna (e por isso julgo aquelas cenas de morte previamente anunciada, sentida), mas bem pode ser, quem sabe? Minha mãe, ao telefone internacional, disse-me: «Eu estava já tão triste! Na... -
A mulher está morta
Publicado a 9 de novembro de 2008 | 2 ComentáriosEsta semana olhei pela janela de manhã e vi que uma ambulância estava parada à porta da casa do outro lado da rua. Eu sabia de antemão que a mulher estava doente e já não reconhecia aos amigos. Não houve suspense, apenas a constatação serena... -
Um silêncio de saudade relutante
Publicado a 8 de outubro de 2008 | 3 ComentáriosEste vento frio e úmido traz-me saudades das pedras geladas e cobertas de musgos das aldeias de Portugal. Quando eu passava as mãos sobre o verde incrustado por entre as pedras, sentia como se me aplainasse a pele, como se o tempo roçasse devagar brincando... -
Pedro e Sísifo
Publicado a 21 de setembro de 2008 | 1 ComentárioPedro insistia em bater com sua cabeça na parede, ou melhor, no muro à sua frente. Pedro, que aqui quer dizer também ‘pedra’, era insistente, porém o muro resistia. E ficava ali: batendo e se machucando, ferindo o rosto e reabrindo as feridas de outros... -
Noite clássica
Publicado a 5 de agosto de 2008 | 1 ComentárioUma conhecida sensação tediosa invadiu este cômodo. De repente, eis que falta eletricidade. Olho da janela, que recosta do meu lado esquerdo, e vejo tudo escuro até onde a vista alcança. Em menos de um minuto, retorna a eletricidade (onde andavas? onde fostes?). Sim, retorna... -
Platero e Eu – O menino e a fonte
Publicado a 1 de agosto de 2008 | Nenhum Comentário«Na aridez abrasada de sol do grande lago poeirento que, por mais leve que se pise, cobre a gente, até os olhos, de branca poeira peneirada, o menino e a fonte formam um grupo risonho e esplêndido, cada qual com a sua alma. Embora ali... -
Os livros e a viagem
Publicado a 29 de julho de 2008 | Nenhum ComentárioEstava agora, neste instante (e não escrevo no passado, mas sim neste eterno presente), observando os livros em minha frente. Vertiginosamente atacaram-me pensamentos não tão absurdos quanto os que me acometem em sonhos – e o leitor deve acreditar que meus sonhos são mundos completos,... -
Banho, chuva e café na janela
Publicado a 29 de julho de 2008 | Nenhum ComentárioFim de tarde. A chave gira na fechadura. Chega a casa após mais um dia de trabalho e não pensa em outra coisa a não ser o banho. Depois: um café na janela. Sempre preferiu os dias chuvosos, aquela chuvinha fina que não passa. O banho.... -
Albert Camus – Sobre o exílio
Publicado a 27 de julho de 2008 | Nenhum Comentário«Sim, era realmente o sentimento do exílio esse vazio que trazíamos constantemente em nós, essa emoção precisa, o desejo irracional de voltar atrás ou pelo contrário, de acelerar a marcha do tempo, essas flechas ardentes da memória» «Experimentava assim o sofrimento profundo de todos os... -
Juan Ramón Jiménez – A viagem definitiva
Publicado a 25 de julho de 2008 | 3 ComentáriosIr-me-ei embora. E ficarão os pássaros Cantando. E ficará o meu jardim com sua árvore verde E o seu poço branco. Todas as tardes o céu será azul e plácido, E tocarão, como esta tarde estão tocando, Os sinos do campanário. Morrerão os que me... -
Matematicamente falando…
Publicado a 23 de julho de 2008 | Nenhum ComentárioSentimo-nos exaustos. São muitos os dias se contarmos desde o início de cada um. Junte-se os dois e a matemática do tempo particular exaspera-se. Por isso equacionamos as duas vidas. Não se sabe mais ao certo para que lado fica a saída do labirinto, pois... -
Dois gatos
Publicado a 23 de julho de 2008 | Nenhum ComentárioFui dar aulas. No caminho de ida, perto de casa ainda, olhei para a rua e vi dois gatinhos comendo os restos de algum animal que havia sido atropelado. Naquela rua passam muitos veículos, pois é passagem dos carros que saem da Rod. Presid. Dutra... -
Planícies
Publicado a 6 de julho de 2008 | 2 ComentáriosPlanícies. Cúmulo do estar sozinho. Existe maior sentimento de solidão do que estar em meio à planície? Todos os lados são paredes móveis de vento; é onde o céu adquire seu maior peso. Ao mesmo tempo, não existe céu mais belo, nem sol tão visível,... -
Aquele carro que passa
Publicado a 23 de junho de 2008 | Nenhum ComentárioUm carro atravessa a rodovia e dispara feito flecha no alvo da noite. -
Polonaise, de Chopin
Publicado a 16 de maio de 2008 | 3 ComentáriosOuvindo Chopin. É possível imaginar uma biblioteca escura, uma única janela ao fundo, um homem sentado de frente para essa mesma janela, e nós a olharmos, observando-o ao fundo, vendo apenas suas costas. Não parece bem um homem, mas apenas a sombra de um homem... -
A paciente
Publicado a 4 de maio de 2008 | Nenhum ComentárioO médico toca com os dedos a barriga da mulher grávida. Seus olhos cruzam com os da paciente por alguns instantes. Ela parece estar bem de saúde; e também o bebê. A mulher segura a mão do médico, separa-lhe os dedos e entrelaça com os... -
Inversão de papéis
Publicado a 4 de maio de 2008 | 4 ComentáriosDor de cabeça. Uma dor que foge, correndo em círculos dentro do claustrofóbico espaço craniano. Tenho dó dessa dor. Coitada! Presa, batendo desesperada, procurando uma saída! Decido não interferir. Isso quer dizer que sou pior que a dor de cabeça: vou deixá-la lá dentro, prisioneira,... -
O mapa
Publicado a 4 de maio de 2008 | Nenhum ComentárioSaber onde está o tesouro não basta! É preciso encontrar o caminho. Tem que pisar no caminho. Tem que ter os pés descalços, Pois é preciso endurecer a pele! É bom ter também os punhos fechados, Pois é preciso também ser forte! Ajuda muito ter... -
Deserto
Publicado a 2 de abril de 2008 | Nenhum ComentárioTenho um choro retido na garganta Desses que ficam gritando encarcerados Não cedo as chaves nem descanso os olhos Que vigiam atentos qualquer tentativa de fuga Tenho um nó apertado na lembrança Desses que, se puxam, ficam mais apertados Não cedo atenção nem dilato os... -
Dilúvio
Publicado a 28 de março de 2008 | Nenhum ComentárioTurba-me a vista aquela paisagem Há tanto guardada na arca da memória. Não foi bastante aquele dilúvio, Pois, de par e par, todos os meus instintos, Fechados comigo sofrendo a tempestade, Debateram-se nas histórias, sem escrúpulos. Algumas – invenções à flor-da-pele; Outras – memórias, realidades;... -
Vindo pra casa
Publicado a 19 de fevereiro de 2008 | Nenhum ComentárioEstava eu andando sob o céu noturno, vindo para casa, quando por entre nuvens [ou névoas, não sei ao certo; mas quem saberá?], vislumbrei uma forma luminosa, pronta para atravessar o umbral que nos separa do celeste. Não era circular [poucas são as formas circulares... -
Estrada
Publicado a 5 de dezembro de 2007 | Nenhum ComentárioTudo na estrada pode ser posto com arte. Muda-se o matiz, o som, o ar – balança-se a cabeça rapidamente – e tudo encerra a imagem, aprisionada pela câmera digital no tempo. Sim, parece-me aceitável. É ficção. -
Sentidos
Publicado a 29 de novembro de 2007 | Nenhum ComentárioCom tantos dias em mãos, andei cercando os sentidos que me escapuliam, escorregadios. Um desses sentidos caiu em cima do teclado do computador, esvaindo-se pelos espaços que existem entre as teclas. Se bem reparei, foi entre a tecla do espaço – aquela maior, horizontal –... -
Placebo
Publicado a 14 de outubro de 2007 | Nenhum ComentárioO dia hoje estava diferente. Acordei sentindo que outra pessoa sentava ao meu lado na cama. A cama cedeu com o peso de mais um outro corpo. Pensei que era ela. Senti alguém se esticando por cima de mim e apoiando uma das mãos na... -
Matemática fiel
Publicado a 14 de outubro de 2007 | 1 ComentárioQuatro noites escrevendo sobre dois mil anos, para combater cinco séculos. Nesta matemática dos raciocínios, onde a fé ilumina cuidadosamente a razão, vamos revelando questões e fornecendo gabaritos. Contra a invencionisse: apresento a realidade que persiste, fundada sobre a Pedra. Nesta, somando infinitamente, o resultado... -
O retorno do herói
Publicado a 25 de setembro de 2007 | Nenhum ComentárioAo contrário do que planejamos Ao contrário do que estava no roteiro Não haverá um retorno ao lar O herói não será erguido pela multidão extasiada E nem será imortalizado em camisetas de adolescentes O fim passará desapercebido Os olhos verão apenas a poeira erguida... -
Em círculos
Publicado a 13 de setembro de 2007 | 1 ComentárioSempre agia assim. Corria de um lado para o outro, como se dessa forma pudesse encontrar, aos círculos, a resposta pairando pelo cômodo e, como se a pudesse engolir e digerir, ao invés de ruminá-la; ao invés de saboreá-la e chegar ao cerne da questão.... -
Fernando Pessoa – Dizem que finjo muito
Publicado a 13 de setembro de 2007 | 1 ComentárioDizem que finjo ou minto Tudo que escrevo. Não. Eu simplesmente sinto Com a imaginação. Não uso o coração. Tudo o que sonho ou passo, O que me falha ou finda, É como que um terraço Sobre outra coisa ainda. Essa coisa é que é... -
Juan Ramón Jiménez – O poço
Publicado a 10 de setembro de 2007 | Nenhum Comentário“(A noite desce, e a lua brilha lá no fundo, engrinaldada de estrelas andarengas. Silêncio! Pelos caminhos, a vida, a vida se dilui na distância. Do poço escapa a alma das profundezas. Por ele se vê como que o outro lado do poente. E parece... -
Um menino chamado Eu
Publicado a 10 de setembro de 2007 | 8 ComentáriosEra uma vez um menino que se chamava Eu. Sim, é um nome absurdo, mas era esse o seu nome. Crescera no seio de uma família numerosa que se reunia aos domingos sem, no entanto, que os seus nomes fossem esquecidos durante os outros dias... -
Aurora
Publicado a 10 de setembro de 2007 | Nenhum ComentárioQue a tristeza seja um breve instante nesta existência Pois nem o sol nem a lua estão imóveis no céu Só assim passam-se as horas E podemos ver a linha do horizonte Percebemos o abrir e fechar do véu Para só então vislumbrarmos a serenidade... -
Loucas são as noites
Publicado a 10 de setembro de 2007 | Nenhum ComentárioEu fiz canções na madrugada sentado na cama de lençóis amarelos o incenso exalava miniaturas de eucaliptos no quarto, esta caixa que me cerca Escrevi uns versos e os vesti de música dei voz ao que me esvaziava saquei das cordas, invoquei o som e... -
Escrever e ser
Publicado a 9 de setembro de 2007 | Nenhum ComentárioO escritor torna dizível o que não se sabia dizer Olavo de Carvalho Dos homens de letras que escrevem para jornais, somente uns poucos – eminentemente um Carlos Heitor Cony, um João Ubaldo – conservam ainda as características de escritores e não se rebaixam à... -
In-Paciência
Publicado a 2 de setembro de 2007 | Nenhum ComentárioUm minuto, creio que seja o bastante Nada pode ser tão permanente que dure Intacto, por mais de um minuto, silente Penso dos objetos, corpos, adjetivos, estruturas Ceio que sigam adiante Além mesmo daquele que às teve em mente De fato, por mais insalubre idéia,... -
Fragmento de um conto inacabado
Publicado a 2 de setembro de 2007 | Nenhum ComentárioFrancis ouvia Chopin. É fácil imaginar a cena: um homem de feições sérias, sentado em uma poltrona escura, numa biblioteca escura, com livros de capas escuras. Quase podemos visualizar certa névoa no ambiente. Torna-se fácil imaginá-lo, pois Francis fuma charutos e neste momento mesmo está... -
A poesia é um sonhar por escrito
Publicado a 30 de agosto de 2007 | 1 ComentárioA poesia tem o poder de contar ao leitor não apenas aquilo que ele pensa de si mesmo, mas até mesmo o que deixou de pensar por não sabê-lo. Pode ser também a maior de todas as vigílias – ou, quem sabe, o quase infinito... -
Espírito atento
Publicado a 24 de agosto de 2007 | 1 ComentárioEstávamos na beira do abismo O vento soprava Tínhamos tempo Um pouco Mas nos bastava Fitávamos a planície A extensão das horas O calar da tarde Um sol que desaparecia Mas havia algo Sabíamos da espera Não tardaríamos a saber Então o vento parou O... -
Fernando Pessoa – Assim como as palavras…
Publicado a 22 de agosto de 2007 | 1 ComentárioAssim como falham as palavras quando querem exprimir qualquer pensamento, Assim falham os pensamentos quando querem exprimir qualquer realidade. Mas, como a realidade pensada não é a dita, mas a pensada, Assim a mesma dita realidade existe, não o ser pensada. Assim tudo o que... -
Pontos
Publicado a 10 de agosto de 2007 | Nenhum Comentáriotentei conversar com uma pedra não respondeu então falei sozinho respondi muitas coisas a mim mesmo a pedra parada ali, sobre a mesa será que a pedra não existe? existe, pois a vejo e sinto mas – pensemos (!) e se eu não existisse será... -
Black-out
Publicado a 17 de julho de 2007 | Nenhum ComentárioHoje choveu bastante, faltou luz, comecei faxina, e nem por isso deixei de pensar nos instantes que se tornam caros para a memória. Alguns flashs chegam na mente dos que ficam em silêncio por tempo o suficiente para abrir espaços, brechas, frestas, quando chega o... -
Solidão Companheira
Publicado a 3 de julho de 2007 | 1 ComentárioÉramos simples e completos Estávamos vivos e atentos Tínhamos um sorriso público nos lábios E uma tristeza amiga na solidão Era assim… Não trazíamos dívidas no bolso Apenas as mãos descansadas Enquanto olhávamos pra frente sob o sol A paz fechando os olhos de satisfação... -
Ponto final
Publicado a 3 de julho de 2007 | Nenhum Comentáriohoje eu quero desesperadamente escrever desanuviar o semblante que entorpeceu gastar as mãos na folha lisa até que amasse olhar o branco manchado de tinta cinza debulhar o milho de minha infância degustar o vinho envelhecido no carvalho fugir do embuste que me armadilha soltar... -
As pessoas passam
Publicado a 8 de junho de 2007 | Nenhum ComentárioÉ fato, as pessoas passam. Hoje a noite eu estava conversando com minha mãe na janela, quando, de repente, ela começou a lembrar dos avós de um rapaz que estava passando lá em baixo, na rua onde moro. Disse que tinham muito dinheiro e que... -
Imagens molhadas
Publicado a 4 de maio de 2007 | Nenhum ComentárioDias de chuva a embaciar janelas: não é possível ver paisagens reais: por demais são as imagens molhadas e não se sabe se chove mesmo lá fora ou se são as taças dos olhos que transbordam, que transbordam demais… …sobre o morte do Armando -
Lume
Publicado a 21 de fevereiro de 2007 | 2 ComentáriosNão fiques triste, minha pequena. É teu, este colo usado; tua, minha mão de música. Aquieta-te em mim, que te recebo como quem se encanta e acaricia. Não desanimes por demais, não desabrigues a alegria: na paisagem deste meu mundo, coração, dei-te um jardim como... -
O tempo e o espaço na literatura
Publicado a 22 de janeiro de 2007 | 1 ComentárioDistraio ao som do móbile de bambú cantando ao vento que lhe acode. Disparo idéias sem fim, pois que nada alcançam, para logo em seguida esquecer na impessoalidade aquele dom que distancia. Divago. Em que tempo se passa a literatura? Segundo Jorge Luis Borges, a... -
Névoas de poesia misteriosa
Publicado a 20 de janeiro de 2007 | 2 ComentáriosMuitas vezes, sinto-me preso nas névoas da poesia misteriosa, sem rumo corrente e quotidiano. Parece-me que meus escritos soam muito “sobrenaturais”, sem âncora presa em algum lugar deste mundo, pior, nem em outros. Melhor seria afirmar que escrevo entre mundos, ambientes que deixam as palavras... -
Assalto
Publicado a 18 de janeiro de 2007 | Nenhum ComentárioFragmento: Aquele menino estava embriagado. Embriagado de mundo. Da mesma forma que um bêbado não tem noção do que faz, assim era aquele menino. -
Novos ventos
Publicado a 15 de janeiro de 2007 | Nenhum ComentárioEis que, salvo dos chamamentos, relego ao oposto aquele que fui. Desabo na sombra que se me adianta para desentravar aquele que havia escondido dentro das tardes de minha infância, na solidão alegre, deitado pro céu. Sim, foi debaixo de uma amendoeira, entre galhos e... -
Rastros de sentidos
Publicado a 25 de outubro de 2006 | 1 Comentárioum perfume discreto uma nuvem que se perde um olhar repetido uma sombra de mistério um toque sem sentido uma noite que se pede de uma para mais a cada açoite com o olhar a cada dado vivido é uma sombra que se faz afogar...































































