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  • P1040017 01

    A voz do mundo e o escritor

    Uma esplanada de café é um lugar perfeito. Pode-se observar o vento a dançar as folhas, os carros a transportarem problemas grudados à força em testas enrugadas, crianças inconscientes do barulho que fazem por serem ainda as donas do mundo, conversas que chegam misturadas e...

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  • SL372544modi

    Texto sob o efeito de música

    A vida em dados momentos me parece triste. Os familiares, os amigos, os amores, acontecimentos que se vão, excepto da memória. Olhamos os móveis e sentimos as marcas que ficam, o que os olhos dos que já não estão ao pé de nós olharam e...

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  • DSC09588.jpg

    Anotações do Caderno Escuro de Frieditz

    (1) Não acreditamos no mundo à nossa volta. Acreditamos em nossos medos, ódios, anseios, em nossos problemas. De certa forma, substituímos o mundo real e independente de nós pelos nossos sentimentos interiores. O mundo externo torna-se apenas um lugar onde podemos colocar os pés, uma...

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  • ariadnetheseus.jpg

    Dei por mim já adulto

    Um casulo de solidão em torno, uma nódoa de vazio nos panos brancos da alma, uma escada que sobe infinitamente para dar em qualquer lugar desconhecido; eis o quadro pendurado na parede rachada e antiga que encaixota o ser estirado sobre o chão, um chão...

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  • vento1.jpg

    O vento que insiste em bater no vidro dos olhos

    Sempre tive associações com o vento. Lembro-me de tardes em que ficava sentado na calçada de cimento entrecortado por sombras de amendoeiras e de repente tenho as amêndoas brasileiras amargas e imastigáveis, sem que eu atine com o motivo de se chamarem amêndoas a caírem...

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  • 3028562

    Não trouxe nenhum raio comigo

    Noite passada, eu arrumei a cadeira junto ao muro que dá para a rua (um murinho baixo, com grades proporcionais). Levei comigo cigarros, uma chávena de café e um copo de vinho branco. Sentei metade de mim debaixo da varanda e a outra metade sob...

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  • 1214763573_loucura21

    De escritor e de loucos, quantos de nós temos, de cada um, um pouco?

    de escritor e de loucos quantos de nós temos de cada um um pouco? se ao andar pelas ruas ao tentar distrair-me crónicas, contos, romances, poesias debatem-se na imaginação, lutam tanto desespero pelo espaço tanta discussão, frenesi, enfim, forma-se um tumulto pela atenção que só...

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  • PA214259alomo

    E depois não sabem o motivo da enxaqueca dos vendavais

    Um homem sentado à varanda com um cão ao lado: eis a imagem da serenidade de uma tarde enevoada na qual, não muito distante, o barulho intermitente de uma enxada insiste em demonstrar o movimento do mundo. As nuvens estão a descansar, coitadas, da brincadeira...

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  • LIVROS

    O escritor finge que se esquece de si mesmo

    Escrever é riscar com as unhas o vento que bate ao rosto, com gestos estranhos, muitas vezes exagerados, quase sempre incompreensíveis à maioria das pessoas. Porém, ao prestar-se mais atenção, vê-se sempre no rosto do escritor um certo sorriso de lado, uma certa ironia, algum...

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  • Meu amor

    O universo cabe dentro de dois corpos que trocam estrelas cadentes

    Luzes e mais luzes a piscarem no alto dos montes: carros que indiscretamente procuram a discrição nos ermos da aldeia. Cá embaixo, nós, simples mortais desabituados ao isolamento, neste universo horizontal e fraldário, invejamos-lhos a audácia simples e a solidão escolhida. Casais que se escondem...

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  • sombra-de-gato-errante

    Da minha falta de franciscanidade

    Sonhei que andava numa loja de animais escura e entulhada de coisas, comprando dois peixes Acarás-Bandeira de cor lilás para juntar aos dois vermelhos que eu já tinha em um aquário na minha casa do sonho. Depois, comprei dois gatos negros e raiados de cinza...

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  • Edith_Derdyk

    Cada livro é um saco cheio de coisas

    Eu gastando tantas letras e a pensar que deve haver um limite no Infinito, visto que no infinito não há tempo e as coisas por lá todas terminadas, em sua forma definitiva. Jogassem-me lá e eu perguntava — Olha, quantas letras eu escrevi? No entanto,...

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  • olhos fechados

    Do tamanho e do peso das coisas

    Disse a minha mãe, agora ao almoço — Lembro-me perfeitamente do gosto de um queijo que eu comi há quarenta anos na Igreja então passei a lembrar dos gostos e cheiros que também guardo perfeitamente, dos quais basta uma palavra para que retornem ao nariz...

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  • rel_gioengrenagens_thumb_4_

    Da impossibilidade de acertar os relógios

    Qual a idade do tempo? Qual não seria a alegria de assistir ao primeiro segundo de sua existência? E nós, seres humanos, cativos do tempo, sem poder imaginar como seria antes desse primeiro segundo, o que havia, o que haveria de estar em semente na...

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  • escher5

    Matei o meu marido sim senhor

    Matei o meu marido sim senhor, e daí? Andava já ressequida pela vida, abandonada junto aos móveis da casa e (casa? isto não se parece com uma) já não esperava nada de ti Pedro Afonso, nada, pois só ouvia-te a chamar-me pelo nome quando chegavas...

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  • 78471171_450f3ee12e

    Breves instantes quotidianos, seguidos de um ponto final.

    Uma tempestade sem tamanho, que desaba do céu sobre as cabeças loiras e castanhas das casas, faz com que o cão, protegido e com os olhos fixos nas nuvens, ladre intumescido e rosne impropérios a um São Pedro irado. Os animais não aceitam a prisão...

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  • tempo

    Um breve torpor dionisíaco

    Sentei-me rente à lareira. Sinto o sabor efervescente do tinto na boca; solto a fumaça, antes aprisionada no cigarro, para que se junte ao lume e suba chaminé acima e, depois, vencido pela ociosidade, sinto o calor a queimar o rosto e aquiescer as ideias....

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  • mao_macaneta

    A lâmina que corta a minha vida

    Mais um momento divisor se aproxima, dois dias adiante. O que corta minha vida sempre em duas partes (e tudo isto tem a ver com a geografia) se parece com uma faca de cortar pão: tanto pela rudeza e agressividade da lâmina, quanto pela simplicidade...

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  • 2987080216_b2c411ed10_o

    Dos homens e das tempestades

    O vento chega à frente, como se fosse um pequeno mito anunciando uma deusa mais poderosa que se aproxima: a chuva forte, impetuosa, irresistível. As nuvens bradam em homenagem, anunciantes, faiscando com violência para avisar que com a natureza não se brinca, e toda ela...

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  • esfera_g

    O quebra-cabeças que dá valor à existência

    Começo a acreditar que as coisas que duram para sempre são aquelas que experimentamos e planejamos na infância. Os projetos, as brincadeiras, as pessoas que fizeram parte de nossa vida nessa época, tudo isto, por mais que tenha havido distância entre as pessoas ou que...

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  • 285328634_6ee60a21ec_b

    Seria o aniversário de meu pai

    Meu pai ensinou-me a jogar damas quando eu era ainda bem pequeno. Ganhou todas as partidas por anos a fio. Fui crescendo; no entanto não o vencia. Fiquei tão bom no jogo de damas que ninguém da minha rua queria mais jogar comigo, pois ganhava...

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  • impressionantes fotos escuras e claras 22

    Manual da Madrugada

    Sozinho, durante a madrugada, olhando as casas e as ruas da minha janela, eu fico imaginando as pessoas dormindo. Olho para os postes, pontos de luz que deixam os caminhos em sépia, e sinto o cheiro, vejo as sombras, às vezes um gato tranqüilo que...

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  • duas-maos

    Metal Líquido

    São dias terríveis: decisões, términos, afastamentos, enfim, um longo rosário de sofrimentos internos, invisíveis. Ao mesmo tempo aspirações, realizações, recomeços, reencontros: sonhos que se iniciam porque acordei. Dois rios em direcções opostas, que se chocam: som, água para todos os lados, movimento. Não magoar pessoas queridas, muito...

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  • monge_executivo_04

    Um sonho ao passado

    Ando cá fechado em minha torre, meio isolado do mundo em um momento de transição, daqueles em que são estendidas no varal notas de solidão querida, desejada, como se a única coisa que importasse fosse ruminar a vida em silêncio. Há roupa para lavar, mas...

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  • 6C9C9A574A29B10F0DA0C07C9001A960316B_escuta

    São muitas as vozes dentro de nós

    São muitas as vozes dentro de nós: daqueles que naturalmente se dispersaram com o tempo, outros que partiram com a morte e ainda aqueles que seguem por uma estrada diferente a partir de certo ponto do caminho. No entanto, sempre é possível ouvir a voz...

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  • Fotos Expressando Solidão 13

    Não me esqueço de mim mesmo, então posso me sentir só.

    Enquanto escrevia, esta era a música que tocava: Veja, a rua está vazia. Um carro passa, mas não pára. Tudo tem que passar: as ruas, as casas; nós estamos de passagem, por mais que eu permaneça madrugadas à janela, sem que eu perceba, já não...

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  • violao-e-partitura

    O acorde desta canção que é a vida

    Chegar à aldeia (capital do mundo) e encontrar os amigos enevoados por causa do tempo e da distância, desanuviar as feições, forçar a rouquidão que é a rusga da pressa no falar e logo todas as vozes em uníssono saindo pela boca do Miguel —...

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  • cãobravo

    Do que tratam estes latidos todos?

    Acho que os cães entediam-se em certas madrugadas e põem-se a latir, resmungando para outros cães. Pode ser que exista uma linguagem (de certo que há) e percebo que eles se comunicam a outros mais distantes (ou se desentendem?) em alguma disputa indecifrável para nós,...

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  • luacheia1tk

    Intimação para testemunha ocular, prova da realidade deste momento

    De uma coisa não posso esquecer: o céu noturno com poucas nuvens, lua cheia e vento morno. Das poucas, as que mais me sensibilizam são aquelas que ficam morosas em torno do disco lunar, mudam de cor e, se olhamos por algum tempo para outro...

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  • 2471262478_37d21f47f5

    Navegar no mar do imaginário, para aportar no real

    Como a luz que penetra, sorrateiramente, através de uma fresta que nos era desconhecida até aquele exato instante, assim são as idéias que nos chegam, prenhes de ações, navegando por algum tempo no mar de nosso imaginário, para depois, finalmente, aportarem no real, satisfeitas por...

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  • DSC01655

    Os vidros que dão para o Largo de Trancoso

    Não sei qual a relação, mas esta música, Elephant Gun, do Beirut, trouxe-me isto: a minha mãe carregando-me os ouvidos — Anda, tens tempo depois para essas coisas. e só agora pude entender que este tens tempo depois não era para um depois tão distante....

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  • maos_atadas

    Todos os anos de uma só vez a cair

    Havia mais de um mês que não chorava pela casa e havia mais uns quinze dias que o choro andava pelos corredores do hospital, e quando não pelos corredores, ela com o nebulizador em uma, que ao invés de sufocar, aliviava os brônquios da filha,...

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  • dew

    Doses cúbicas de prazeres simples

    Uma taça de vinho do porto (Terras Porto. Tawny, de Vila Nova de Gaia), um charuto (Phillies (USA) aromático: chocolate) e o vento fresco de uma noite de outono (Naturalmente bela); eis algumas das coisas que preenchem com certo prazer este início de madrugada. Tenho...

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  • 1353513

    O mecanismo por detrás das coisas

    As coisas partem-se em pedaços; espalham-se pelo mundo. Pessoas também. Formam-se grupos, juntam-se idéias cuja densidade impõe limites físicos, e tudo isto – assim, de repente – rasga-se: um vento atravessa os limites e dissipa  aquela densidade inicial, quase tornando-a inimaginável ao torcermos os olhos...

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  • castaneda3

    A membrana da internet e os sentidos rudimentares dos seres humanos

    Fazia tempo que eu não ficava em uma mesma casa com três gerações de minha família, cada uma dessas gerações representadas por um membro: mãe, avó e filho. Está certo, não é lá algo incomum na maioria das casas que conhecemos. Porém no meu caso é algo singular,...

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  • 3247491849_af31827162_b

    Tédio Matinal

    Olho aqui à minha frente um livro do Lobo Antunes; outro que me ensina a rezar na era da técnica; aquele da Ortodoxia, do G. K. Chesterton; diversos sobre São Bento; um do São João da Cruz; um sobre patrologia; Santo Agostinho; Fernando Pessoa; Jorge...

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  • maos1s

    Nuvens Baixas

    Ventos fortes e tempestuosos cobriram os dias. Não é possível ainda enxergar ao longe, mas cremos que não há muito o que fazer, a não ser seguir em frente. Vamos todos com uma das mãos protegendo os olhos, e a outra agarrada aos amigos.

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  • Maosa

    O alimento da alma

    A alma encontrou descanso, abriu as asas de sua inteligência e as abanou um pouco, assim como quem estava com elas muito tempo presas e sente grande alívio em soltá-las. A seguir, com um olhar faminto e renovadas forças, saiu em busca de seu alimento:...

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  • Edith_Derdyk

    Uma linha forte

    Um circulador de ar canta, enchendo o ambiente com alguma canção há muito conhecida dos ventos, e que foi posta artificialmente nas hélices do aparelho pela técnica dos seres humanos. A luminária antiga e alaranjada, quebrada pelo tempo e pelo calor, estes que ressecam o...

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  • maosVivas01

    O labirinto que antecede as pontes

    Existem pontes São tantas E o problema de existirem assim Tantas É que ficamos parados (nos momentos decisivos) A olhar para cada uma delas Os olhos bem abertos Às diversas possibilidades E o problema de existirem assim Tantas É que ficamos perdidos (e nos esquecemos...

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  • culp

    O vazio entre os objetos e um silêncio específico

    Ou uma nova modalidade de solidão está se formando ou pode ser que uma fase extensa de minha vida tenha terminado e esteja solicitando amavelmente a passagem para outra. Algo está diferente, mesmo na maneira como os meus olhos captam o mundo ao redor. Há...

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  • maos6

    Prescindir da matemática

    Bem o conheço… Sempre andava com os olhos espetando os outros, com as palavras afiadas disparadas intermitantemente em alguma direção (nem sempre algo que valha) ou passando a mão direita nos cabelos, como a jogar as idéias constantemente ao vento. «Sei o que se passa»,...

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  • arvore_seca

    A pesca

    – A impressão que se tem é que a maioria das pessoas são iguais, mas nos vícios e defeitos — diz António. Pedro, instantaneamente replica: – Mas há-de se convir que nas poucas que são diferentes, também há certa igualdade… António passa a especificar: –...

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  • 439999382_8ed975a3ec

    A massa do homem

    Observa aquele que passa na avenida Na multidão, como se vê a princípio Um homem só, caso percebas a realidade das coisas Indivíduos possuem notas que os singularizam Tais peculiaridades não ficam à superfície Se mexeres mais a fundo – feito artífice Descobres uma tela...

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  • homem na cortina

    Sons habituais da madrugada

    A madrugada segue com os seus sons habituais de fim de semana: os carros na rodovia fincam mais rudemente o asfalto (há uma pressa costumeira aos sábados), as pessoas nos carros e nas motos que lançam gritos esparsos e sem sentido (são sinais de vitalidade...

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  • harry_labirinto2

    As tardes de Nuno Mendes

    Nuno passava as tardes brincando quieto, em silêncio. Seus pais sempre dormiam após o almoço e ele ficava sozinho pela casa imensa. Quando somos pequenos todas as coisas parecem enormes. Ou será que vão encolhendo na medida em que crescemos? É de conhecimento público que...

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  • 122358320_870f956dcc

    O passar das coisas

    Só percebemos o momento quando o buscamos no passado. O presente à nossa volta entorpece-nos, turva-nos os pensamentos. É preciso pressa; agora. Mais tarde, quando tudo se tornar memória, somos ainda capazes de retocar os acontecimentos. Pegamo-los para nós; arrancamo-los do tempo. Os que fazem...

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  • 417829195_22c3ff6885

    A sombra

    Uma insignificante sombra pousou sobre a mesa cor de tabaco. Quase não pude perceber a nuance, uma gradiente, que saltava de um lado para o outro, fugindo sistematicamente da minha mão incansável. Mentira. Cansava-se ao mesmo tempo em que meu braço: descansavam juntos, em uma...

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  • 1119056413_de13e9f591_o

    Memórias da infância dos outros

    Todos estavam reunidos no quarto-sala: aniversário. Como em toda reunião em que já não se tem muito o que dizer, logo iniciam-se as recordações de aventuras do tempo de criança. O mais curioso é que são contadas as mesmas histórias, sempre. Escangalhavam-se de rir… Eu,...

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  • fundo-mar

    A mulher não está morta

    E o silêncio rompeu-se: foi levada para a UTI. Não se sabe se de lá retorna (e por isso julgo aquelas cenas de morte previamente anunciada, sentida), mas bem pode ser, quem sabe? Minha mãe, ao telefone internacional, disse-me: «Eu estava já tão triste! Na...

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  • patricktaberna2

    A mulher está morta

    Esta semana olhei pela janela de manhã e vi que uma ambulância estava parada à porta da casa do outro lado da rua. Eu sabia de antemão que a mulher estava doente e já não reconhecia aos amigos. Não houve suspense, apenas a constatação serena...

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  • 15-1

    Um silêncio de saudade relutante

    Este vento frio e úmido traz-me saudades das pedras geladas e cobertas de musgos das aldeias de Portugal. Quando eu passava as mãos sobre o verde incrustado por entre as pedras, sentia como se me aplainasse a pele, como se o tempo roçasse devagar brincando...

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  • s_sifo

    Pedro e Sísifo

    Pedro insistia em bater com sua cabeça na parede, ou melhor, no muro à sua frente. Pedro, que aqui quer dizer também ‘pedra’, era insistente, porém o muro resistia. E ficava ali: batendo e se machucando, ferindo o rosto e reabrindo as feridas de outros...

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  • 434426149_dafbf0a511_b

    Noite clássica

    Uma conhecida sensação tediosa invadiu este cômodo. De repente, eis que falta eletricidade. Olho da janela, que recosta do meu lado esquerdo, e vejo tudo escuro até onde a vista alcança. Em menos de um minuto, retorna a eletricidade (onde andavas? onde fostes?). Sim, retorna...

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  • Platero e Eu – O menino e a fonte

    Platero e Eu – O menino e a fonte

    «Na aridez abrasada de sol do grande lago poeirento que, por mais leve que se pise, cobre a gente, até os olhos, de branca poeira peneirada, o menino e a fonte formam um grupo risonho e esplêndido, cada qual com a sua alma. Embora ali...

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  • livros2

    Os livros e a viagem

    Estava agora, neste instante (e não escrevo no passado, mas sim neste eterno presente), observando os livros em minha frente. Vertiginosamente atacaram-me pensamentos não tão absurdos quanto os que me acometem em sonhos – e o leitor deve acreditar que meus sonhos são mundos completos,...

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  • café3

    Banho, chuva e café na janela

    Fim de tarde. A chave gira na fechadura. Chega a casa após mais um dia de trabalho e não pensa em outra coisa a não ser o banho. Depois: um café na janela. Sempre preferiu os dias chuvosos, aquela chuvinha fina que não passa. O banho....

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  • Albert Camus – Sobre o exílio

    Albert Camus – Sobre o exílio

    «Sim, era realmente o sentimento do exílio esse vazio que trazíamos constantemente em nós, essa emoção precisa, o desejo irracional de voltar atrás ou pelo contrário, de acelerar a marcha do tempo, essas flechas ardentes da memória» «Experimentava assim o sofrimento profundo de todos os...

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  • Juan Ramón Jiménez – A viagem definitiva

    Juan Ramón Jiménez – A viagem definitiva

    Ir-me-ei embora. E ficarão os pássaros Cantando. E ficará o meu jardim com sua árvore verde E o seu poço branco. Todas as tardes o céu será azul e plácido, E tocarão, como esta tarde estão tocando, Os sinos do campanário. Morrerão os que me...

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  • minotauro

    Matematicamente falando…

    Sentimo-nos exaustos. São muitos os dias se contarmos desde o início de cada um. Junte-se os dois e a matemática do tempo particular exaspera-se. Por isso equacionamos as duas vidas. Não se sabe mais ao certo para que lado fica a saída do labirinto, pois...

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  • 88ff

    Dois gatos

    Fui dar aulas. No caminho de ida, perto de casa ainda, olhei para a rua e vi dois gatinhos comendo os restos de algum animal que havia sido atropelado. Naquela rua passam muitos veículos, pois é passagem dos carros que saem da Rod. Presid. Dutra...

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  • planície e casa

    Planícies

    Planícies. Cúmulo do estar sozinho. Existe maior sentimento de solidão do que estar em meio à planície? Todos os lados são paredes móveis de vento; é onde o céu adquire seu maior peso. Ao mesmo tempo, não existe céu mais belo, nem sol tão visível,...

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  • 434426149_dafbf0a511_b

    Aquele carro que passa

    Um carro atravessa a rodovia e dispara feito flecha no alvo da noite.

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  • 3127749491_234d8c4590_o

    Polonaise, de Chopin

    Ouvindo Chopin. É possível imaginar uma biblioteca escura, uma única janela ao fundo, um homem sentado de frente para essa mesma janela, e nós a olharmos, observando-o ao fundo, vendo apenas suas costas. Não parece bem um homem, mas apenas a sombra de um homem...

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  • 2339110853_63a3583990_o

    A paciente

    O médico toca com os dedos a barriga da mulher grávida. Seus olhos cruzam com os da paciente por alguns instantes. Ela parece estar bem de saúde; e também o bebê. A mulher segura a mão do médico, separa-lhe os dedos e entrelaça com os...

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  • man2

    Inversão de papéis

    Dor de cabeça. Uma dor que foge, correndo em círculos dentro do claustrofóbico espaço craniano. Tenho dó dessa dor. Coitada! Presa, batendo desesperada, procurando uma saída! Decido não interferir. Isso quer dizer que sou pior que a dor de cabeça: vou deixá-la lá dentro, prisioneira,...

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  • suicida2

    O mapa

    Saber onde está o tesouro não basta! É preciso encontrar o caminho. Tem que pisar no caminho. Tem que ter os pés descalços, Pois é preciso endurecer a pele! É bom ter também os punhos fechados, Pois é preciso também ser forte! Ajuda muito ter...

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  • 0,,20904201-EX,00

    Deserto

    Tenho um choro retido na garganta Desses que ficam gritando encarcerados Não cedo as chaves nem descanso os olhos Que vigiam atentos qualquer tentativa de fuga Tenho um nó apertado na lembrança Desses que, se puxam, ficam mais apertados Não cedo atenção nem dilato os...

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  • _crucificado

    Dilúvio

    Turba-me a vista aquela paisagem Há tanto guardada na arca da memória. Não foi bastante aquele dilúvio, Pois, de par e par, todos os meus instintos, Fechados comigo sofrendo a tempestade, Debateram-se nas histórias, sem escrúpulos. Algumas – invenções à flor-da-pele; Outras – memórias, realidades;...

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  • lua_cheia_lick

    Vindo pra casa

    Estava eu andando sob o céu noturno, vindo para casa, quando por entre nuvens [ou névoas, não sei ao certo; mas quem saberá?], vislumbrei uma forma luminosa, pronta para atravessar o umbral que nos separa do celeste. Não era circular [poucas são as formas circulares...

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  • 13369268_6d5b491a67_o

    Estrada

    Tudo na estrada pode ser posto com arte. Muda-se o matiz, o som, o ar – balança-se a cabeça rapidamente – e tudo encerra a imagem, aprisionada pela câmera digital no tempo. Sim, parece-me aceitável. É ficção.

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  • 235

    Sentidos

    Com tantos dias em mãos, andei cercando os sentidos que me escapuliam, escorregadios. Um desses sentidos caiu em cima do teclado do computador, esvaindo-se pelos espaços que existem entre as teclas. Se bem reparei, foi entre a tecla do espaço – aquela maior, horizontal –...

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  • impressionantes fotos escuras e claras 8

    Placebo

    O dia hoje estava diferente. Acordei sentindo que outra pessoa sentava ao meu lado na cama. A cama cedeu com o peso de mais um outro corpo. Pensei que era ela. Senti alguém se esticando por cima de mim e apoiando uma das mãos na...

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  • Matemática fiel

    Matemática fiel

    Quatro noites escrevendo sobre dois mil anos, para combater cinco séculos. Nesta matemática dos raciocínios, onde a fé ilumina cuidadosamente a razão, vamos revelando questões e fornecendo gabaritos. Contra a invencionisse: apresento a realidade que persiste, fundada sobre a Pedra. Nesta, somando infinitamente, o resultado...

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  • O retorno do herói

    O retorno do herói

    Ao contrário do que planejamos Ao contrário do que estava no roteiro Não haverá um retorno ao lar O herói não será erguido pela multidão extasiada E nem será imortalizado em camisetas de adolescentes O fim passará desapercebido Os olhos verão apenas a poeira erguida...

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  • Em círculos

    Em círculos

    Sempre agia assim. Corria de um lado para o outro, como se dessa forma pudesse encontrar, aos círculos, a resposta pairando pelo cômodo e, como se a pudesse engolir e digerir, ao invés de ruminá-la; ao invés de saboreá-la e chegar ao cerne da questão....

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  • Fernando Pessoa – Dizem que finjo muito

    Fernando Pessoa – Dizem que finjo muito

    Dizem que finjo ou minto Tudo que escrevo. Não. Eu simplesmente sinto Com a imaginação. Não uso o coração. Tudo o que sonho ou passo, O que me falha ou finda, É como que um terraço Sobre outra coisa ainda. Essa coisa é que é...

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  • Juan Ramón Jiménez – O poço

    Juan Ramón Jiménez – O poço

    “(A noite desce, e a lua brilha lá no fundo, engrinaldada de estrelas andarengas. Silêncio! Pelos caminhos, a vida, a vida se dilui na distância. Do poço escapa a alma das profundezas. Por ele se vê como que o outro lado do poente. E parece...

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  • Um menino chamado Eu

    Um menino chamado Eu

    Era uma vez um menino que se chamava Eu. Sim, é um nome absurdo, mas era esse o seu nome. Crescera no seio de uma família numerosa que se reunia aos domingos sem, no entanto, que os seus nomes fossem esquecidos durante os outros dias...

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  • Aurora

    Aurora

    Que a tristeza seja um breve instante nesta existência Pois nem o sol nem a lua estão imóveis no céu Só assim passam-se as horas E podemos ver a linha do horizonte Percebemos o abrir e fechar do véu Para só então vislumbrarmos a serenidade...

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  • Loucas são as noites

    Loucas são as noites

    Eu fiz canções na madrugada sentado na cama de lençóis amarelos o incenso exalava miniaturas de eucaliptos no quarto, esta caixa que me cerca Escrevi uns versos e os vesti de música dei voz ao que me esvaziava saquei das cordas, invoquei o som e...

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  • Escrever e ser

    Escrever e ser

    O escritor torna dizível o que não se sabia dizer Olavo de Carvalho Dos homens de letras que escrevem para jornais, somente uns poucos – eminentemente um Carlos Heitor Cony, um João Ubaldo – conservam ainda as características de escritores e não se rebaixam à...

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  • In-Paciência

    In-Paciência

    Um minuto, creio que seja o bastante Nada pode ser tão permanente que dure Intacto, por mais de um minuto, silente Penso dos objetos, corpos, adjetivos, estruturas Ceio que sigam adiante Além mesmo daquele que às teve em mente De fato, por mais insalubre idéia,...

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  • Fragmento de um conto inacabado

    Fragmento de um conto inacabado

    Francis ouvia Chopin. É fácil imaginar a cena: um homem de feições sérias, sentado em uma poltrona escura, numa biblioteca escura, com livros de capas escuras. Quase podemos visualizar certa névoa no ambiente. Torna-se fácil imaginá-lo, pois Francis fuma charutos e neste momento mesmo está...

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  • A poesia é um sonhar por escrito

    A poesia é um sonhar por escrito

    A poesia tem o poder de contar ao leitor não apenas aquilo que ele pensa de si mesmo, mas até mesmo o que deixou de pensar por não sabê-lo. Pode ser também a maior de todas as vigílias – ou, quem sabe, o quase infinito...

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  • Espírito atento

    Espírito atento

    Estávamos na beira do abismo O vento soprava Tínhamos tempo Um pouco Mas nos bastava Fitávamos a planície A extensão das horas O calar da tarde Um sol que desaparecia Mas havia algo Sabíamos da espera Não tardaríamos a saber Então o vento parou O...

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  • Fernando Pessoa – Assim como as palavras…

    Fernando Pessoa – Assim como as palavras…

    Assim como falham as palavras quando querem exprimir qualquer pensamento, Assim falham os pensamentos quando querem exprimir qualquer realidade. Mas, como a realidade pensada não é a dita, mas a pensada, Assim a mesma dita realidade existe, não o ser pensada. Assim tudo o que...

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  • Pontos

    Pontos

    tentei conversar com uma pedra não respondeu então falei sozinho respondi muitas coisas a mim mesmo a pedra parada ali, sobre a mesa será que a pedra não existe? existe, pois a vejo e sinto mas – pensemos (!) e se eu não existisse será...

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  • Black-out

    Black-out

    Hoje choveu bastante, faltou luz, comecei faxina, e nem por isso deixei de pensar nos instantes que se tornam caros para a memória. Alguns flashs chegam na mente dos que ficam em silêncio por tempo o suficiente para abrir espaços, brechas, frestas, quando chega o...

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  • Solidão Companheira

    Solidão Companheira

    Éramos simples e completos Estávamos vivos e atentos Tínhamos um sorriso público nos lábios E uma tristeza amiga na solidão Era assim… Não trazíamos dívidas no bolso Apenas as mãos descansadas Enquanto olhávamos pra frente sob o sol A paz fechando os olhos de satisfação...

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  • Ponto final

    Ponto final

    hoje eu quero desesperadamente escrever desanuviar o semblante que entorpeceu gastar as mãos na folha lisa até que amasse olhar o branco manchado de tinta cinza debulhar o milho de minha infância degustar o vinho envelhecido no carvalho fugir do embuste que me armadilha soltar...

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  • As pessoas passam

    As pessoas passam

    É fato, as pessoas passam. Hoje a noite eu estava conversando com minha mãe na janela, quando, de repente, ela começou a lembrar dos avós de um rapaz que estava passando lá em baixo, na rua onde moro. Disse que tinham muito dinheiro e que...

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  • Imagens molhadas

    Imagens molhadas

    Dias de chuva a embaciar janelas: não é possível ver paisagens reais: por demais são as imagens molhadas e não se sabe se chove mesmo lá fora ou se são as taças dos olhos que transbordam, que transbordam demais… …sobre o morte do Armando

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  • Lume

    Lume

    Não fiques triste, minha pequena. É teu, este colo usado; tua, minha mão de música. Aquieta-te em mim, que te recebo como quem se encanta e acaricia. Não desanimes por demais, não desabrigues a alegria: na paisagem deste meu mundo, coração, dei-te um jardim como...

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  • O tempo e o espaço na literatura

    O tempo e o espaço na literatura

    Distraio ao som do móbile de bambú cantando ao vento que lhe acode. Disparo idéias sem fim, pois que nada alcançam, para logo em seguida esquecer na impessoalidade aquele dom que distancia. Divago. Em que tempo se passa a literatura? Segundo Jorge Luis Borges, a...

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  • Névoas de poesia misteriosa

    Névoas de poesia misteriosa

    Muitas vezes, sinto-me preso nas névoas da poesia misteriosa, sem rumo corrente e quotidiano. Parece-me que meus escritos soam muito “sobrenaturais”, sem âncora presa em algum lugar deste mundo, pior, nem em outros. Melhor seria afirmar que escrevo entre mundos, ambientes que deixam as palavras...

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  • Assalto

    Assalto

    Fragmento: Aquele menino estava embriagado. Embriagado de mundo. Da mesma forma que um bêbado não tem noção do que faz, assim era aquele menino.

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  • Novos ventos

    Novos ventos

    Eis que, salvo dos chamamentos, relego ao oposto aquele que fui. Desabo na sombra que se me adianta para desentravar aquele que havia escondido dentro das tardes de minha infância, na solidão alegre, deitado pro céu. Sim, foi debaixo de uma amendoeira, entre galhos e...

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  • Rastros de sentidos

    Rastros de sentidos

    um perfume discreto uma nuvem que se perde um olhar repetido uma sombra de mistério um toque sem sentido uma noite que se pede de uma para mais a cada açoite com o olhar a cada dado vivido é uma sombra que se faz afogar...

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